{"id":3421,"date":"2025-01-28T18:33:11","date_gmt":"2025-01-28T21:33:11","guid":{"rendered":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/?page_id=3421"},"modified":"2025-01-28T18:33:12","modified_gmt":"2025-01-28T21:33:12","slug":"historico","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/historico\/","title":{"rendered":"HIST\u00d3RICO"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>CONTEXTO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A concep\u00e7\u00e3o do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira visa evidenciar a import\u00e2ncia dos povos negros na constitui\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria, cultural e art\u00edstica do pa\u00eds. Em uma abordagem que valoriza e reconhece a contribui\u00e7\u00e3o dos afrodescendentes na forma\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o brasileira. A necessidade de qualificar as matrizes culturais do Brasil surge como uma resposta fundamental para reverter o discurso reducionista que historicamente exclui e desvaloriza as influ\u00eancias africanas e ind\u00edgenas, privilegiando apenas as matrizes europeias no projeto de constru\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo do tempo, o discurso predominante na historiografia oficial negligenciou o que, no cotidiano da forma\u00e7\u00e3o do Brasil desde o s\u00e9culo XVI, representou vida, trabalho, inven\u00e7\u00e3o, resist\u00eancia e contribui\u00e7\u00e3o civilizat\u00f3ria de diversos grupos \u00e9tnicos. Esses grupos foram subestimados e relegados a papeis invisibilizados, resultando em uma \u00e1rvore geneal\u00f3gica do Brasil que tamb\u00e9m foi uma \u00e1rvore do esquecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>A cria\u00e7\u00e3o do museu dedicado \u00e0 cultura afro-brasileira surge como uma \u00e1rvore da lembran\u00e7a, contrapondo-se a tend\u00eancia hist\u00f3rica e colocando a produ\u00e7\u00e3o cultural e art\u00edstica dos negros no centro da vida brasileira. Por muitas gera\u00e7\u00f5es, os descendentes africanos clamaram por essa iniciativa, enquanto sombras e cortinas impenetr\u00e1veis prosperavam, perpetuando a ignor\u00e2ncia, o desconhecimento e o preconceito. Esses obst\u00e1culos moldaram vis\u00f5es marginalizadas da rica contribui\u00e7\u00e3o dos afro-brasileiros, que \u00e9 um ingrediente essencial para a grandeza do Brasil contempor\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p>A cidade de Salvador, reconhecida como a capital mais negra fora da \u00c1frica \u2013 com 82% da&nbsp; popula\u00e7\u00e3o autodeclarada negra \u2013 , abriga o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira &#8211; MUNCAB, uma resposta contempor\u00e2nea que realiza o sonho de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es. A pr\u00f3pria comunidade afrodescendente foi precursora dessa ideia, criando diversas casas de cultura em todo o territ\u00f3rio nacional, modestos memoriais na tentativa de preservar o legado deixado por seus ancestrais, que foi e \u00e9 fundamental para moldar a cultura brasileira em sua riqueza e diversidade. Por onde o negro passou no Brasil, n\u00e3o importando em que condi\u00e7\u00e3o, deixou marcas de sua presen\u00e7a. Nas regi\u00f5es onde essa popula\u00e7\u00e3o estabeleceu fam\u00edlias, deixou formas de express\u00e3o, conhecimentos e saberes que perduram at\u00e9 hoje, constituindo o que chamamos de diversidade cultural brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Os precursores dessa imperativa necessidade de destacar os saberes e fazeres que os afrodescendentes contribu\u00edram para o processo civilizat\u00f3rio do pa\u00eds foram eles pr\u00f3prios, os negros. Esses esfor\u00e7os podem ser observados nas pr\u00e1ticas clandestinas nas senzalas, nos usos e costumes de origem africana e at\u00e9 mesmo nos quilombos, que representam uma magn\u00edfica express\u00e3o dessa capacidade inalien\u00e1vel de preservar seus valores por se identificarem como essenciais para a constru\u00e7\u00e3o da vida e da sociedade. Os remanescentes dos escravizados, ao aprenderem e praticarem esses conhecimentos, produziram e preservaram saberes necess\u00e1rios para o crescimento material e imaterial e das sociedades organizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais recentemente, essa pr\u00e1tica de conserva\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es, da concep\u00e7\u00e3o de vida e do mundo, das t\u00e9cnicas de transforma\u00e7\u00e3o da realidade, da celebra\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia, dos saberes, dos fazeres e do patrim\u00f4nio material e imaterial tem se concretizado em pequenos e modestos memoriais que contam a trajet\u00f3ria de seus ancestrais at\u00e9 os contempor\u00e2neos. Essa transmiss\u00e3o cont\u00ednua ao longo de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es e assume a miss\u00e3o de guardar e processar os signos e significados da presen\u00e7a afrodescendente no processo formativo do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Em todo o territ\u00f3rio nacional, existem centenas de organiza\u00e7\u00f5es criadas para processar e preservar esses conhecimentos, cultuando refer\u00eancias hist\u00f3ricas dentro de sistemas que integram religi\u00e3o, diversas formas de arte e of\u00edcios, como escultura, m\u00fasica, capoeira, dan\u00e7as, culin\u00e1ria, medicina, bot\u00e2nica, economia, pol\u00edtica e filosofia.<\/p>\n\n\n\n<p>A tarefa de nomear esses precursores \u00e9 imensa e \u00e9 uma miss\u00e3o que o MUNCAB espera cumprir. Parte desses precursores foi localizada por meio de estudos e pesquisas nas \u00e1reas de antropologia, sociologia, est\u00e9tica e uma vasta e nova literatura que desconstr\u00f3i mitos e preconceitos, recuperando os valores que foram negados ao longo dos s\u00e9culos.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de registrar os eventos do per\u00edodo de cria\u00e7\u00e3o da AMAFRO, \u00e9 preciso apresentar algumas iniciativas anteriores surgidas na Bahia, entre as quais a proposi\u00e7\u00e3o de Juana Elbein, que junto com o mestre Didi, criaram a Sociedade de Estudos da Cultura Negra no Brasil \u2013 SECNEB. Tamb\u00e9m, foram criados memoriais em terreiros de Candombl\u00e9, como o de M\u00e3e Menininha do Gantois, o do Il\u00ea Ax\u00e9 Ap\u00f4 Afonj\u00e1, orientado por M\u00e3e Stella de Ox\u00f3ssi, e o de M\u00e3e Mirinha, em Port\u00e3o, Lauro de Freitas. O resgate destes precursores \u00e9 fundamental, como \u00e9 desnecess\u00e1rio dizer que surgiram em outros Estados iniciativas correspondentes, sendo que o Museu Afro, localizado na antiga Escola de Medicina, com origem no CEAO\/UFBA, \u00e9 pioneiro oficial de grande import\u00e2ncia. Segue-se a esta tend\u00eancia de preserva\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o, o Museu Afro Brasil, criado em 2004 em S\u00e3o Paulo por Emanoel Ara\u00fajo.<br><br><strong>HIST\u00d3RICO MUNCAB<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A cria\u00e7\u00e3o da Sociedade Amigos da Cultura Afro-Brasileira &#8211; AMAFRO se deu consorciada ao projeto de implanta\u00e7\u00e3o do Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira &#8211; MUNCAB, idealizado por manifesta\u00e7\u00e3o expressa de representantes de organiza\u00e7\u00f5es governamentais e n\u00e3o governamentais e referendada em semin\u00e1rio promovido pelo Minist\u00e9rio da Cultura \u2013 MINC, atrav\u00e9s do Programa MONUMENTA-MINC, realizado em Bras\u00edlia\/DF, no dia 21 de novembro de 2002, contando com a participa\u00e7\u00e3o de dirigentes do Minist\u00e9rio, representantes da Universidade Federal da Bahia, de expoentes do cen\u00e1rio cultural brasileiro e das comunidades de afrodescendentes \u2013 l\u00edderes, intelectuais do movimento negro \u2014, e de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil.<\/p>\n\n\n\n<p>Os fundamentos estatut\u00e1rios da AMAFRO foram consagrados numa ampla assembleia que reuniu pol\u00edticos, cientistas, historiadores, economistas, antrop\u00f3logos, artistas, representantes de terreiros e dos blocos afros, educadores, pesquisadores, pensadores e militantes da causa negra, oriundos de diversas tend\u00eancias, unidos pelo ideal do resgate e pela miss\u00e3o de inverter os sinais hist\u00f3ricos da nega\u00e7\u00e3o, afirmando a pluralidade cultural, a liberdade de culto, o respeito \u00e0s diferen\u00e7as, s\u00e3o eles: Capinan, Ubiratan Castro de Ara\u00fajo, Emanoel Ara\u00fajo, Jaime Sodr\u00e9, Yeda Pessoa de Castro, M\u00e3e Stella de Ox\u00f3ssi, Olga de Alaketo, Ana C\u00e9lia, Cec\u00edlia Soares, Mariaugusta Rocha, Vov\u00f4 do Il\u00ea, Jo\u00e3o Jorge, Jorge Portugal, Gilberto Gil, Muniz Sodr\u00e9, Dulce Guedes, Carlos Marighela, Angela Andrade, dentre outros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CONTEXTO A concep\u00e7\u00e3o do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira visa evidenciar a import\u00e2ncia dos povos negros na constitui\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria, cultural e art\u00edstica do pa\u00eds. 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