{"id":2480,"date":"2011-03-20T08:50:30","date_gmt":"2011-03-20T11:50:30","guid":{"rendered":"http:\/\/ohyalab.com.br\/index.php\/2011\/03\/20\/o-museu-um-conceito\/"},"modified":"2023-02-16T07:54:03","modified_gmt":"2023-02-16T10:54:03","slug":"o-museu-um-conceito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/2011\/03\/20\/o-museu-um-conceito\/","title":{"rendered":"O Museu. Um Conceito"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #333333; font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 16px;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-33\" style=\"border: thick solid #ffffff; float: left;\" src=\"http:\/\/ohyalab.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/emanoel_araujo2.jpg\" alt=\"emanoel araujo2\" width=\"170\" height=\"170\" \/>O Museu \u00e9 um espa\u00e7o dedicado ao conhecimento e, dependendo das suas especificidades ser\u00e1 um centro vivo de mem\u00f3ria e hist\u00f3ria. Essa \u00e9 a tipologia desse Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira, j\u00e1 que no Brasil ficam claras as omiss\u00f5es de todas as ordens, causa principal do apag\u00e3o cultural constitu\u00eddo no pa\u00eds debaixo da hip\u00f3crita democracia racial. Uma institui\u00e7\u00e3o insistente e perversa, que ainda prevalece por falta de pol\u00edticas p\u00fablicas e a\u00e7\u00f5es afirmativas para por fim na descrimina\u00e7\u00e3o racial, racismo e preconceito social e de todas as formas que impedem avan\u00e7os contra os Afro-descendentes.<\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><span style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; outline: 0px; font-size: 12px; color: #333333; font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; line-height: 16px;\">O Museu \u00e9 um espa\u00e7o dedicado ao conhecimento e, dependendo das suas especificidades ser\u00e1 um centro vivo de mem\u00f3ria e hist\u00f3ria. Essa \u00e9 a tipologia desse Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira, j\u00e1 que no Brasil ficam claras as omiss\u00f5es de todas as ordens, causa principal do apag\u00e3o cultural constitu\u00eddo no pa\u00eds debaixo da hip\u00f3crita democracia racial. Uma institui\u00e7\u00e3o insistente e perversa, que ainda prevalece por falta de pol\u00edticas p\u00fablicas e a\u00e7\u00f5es afirmativas para por fim na descrimina\u00e7\u00e3o racial, racismo e preconceito social e de todas as formas que impedem avan\u00e7os contra os Afro-descendentes.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding: 0px; border: 0px; outline: 0px; font-size: 12px; color: #333333; font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; line-height: 18px;\">O Museu Nacional da Cultura Afro Brasileira foi criado na inten\u00e7\u00e3o de tornar p\u00fablicas as a\u00e7\u00f5es desenvolvidas nas vertentes propostas, como detentor do conhecimento hist\u00f3rico e s\u00f3cio-cultural e de outras atividades que possam contribuir para o conhecimento dessa hist\u00f3ria, da mem\u00f3ria dos povos que est\u00e3o nas ra\u00edzes da forma\u00e7\u00e3o do povo brasileiro.<\/p>\n<p style=\"padding: 0px; border: 0px; outline: 0px; font-size: 12px; color: #333333; font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; line-height: 18px;\">Alguns desafios da cria\u00e7\u00e3o, na Bahia, desse museu, por estar no ber\u00e7o da dita &#8220;africanidade&#8221; criada pelos estere\u00f3tipos, formados pelo folclore e pelo abusos dos s\u00edmbolos sagrados e profanos afros, que seguramente perturbar\u00e3o a forma\u00e7\u00e3o do seu acervo material, raz\u00e3o pela qual deve existir um museu. Portanto, todo cuidado ser\u00e1 necess\u00e1rio para que este espa\u00e7o n\u00e3o se torne um gabinete de curiosidades, devido a certo car\u00e1ter que rege as institui\u00e7\u00f5es na Bahia.<\/p>\n<p style=\"padding: 0px; border: 0px; outline: 0px; font-size: 12px; color: #333333; font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; line-height: 18px;\">Desde muito cedo, certo desejo democr\u00e1tico norteou as a\u00e7\u00f5es do seu in\u00edcio, com pessoas pouco experientes e confusas, a causa desse desconforto partia principalmente da falta de um acervo que de pronto norteasse sua cria\u00e7\u00e3o, um fio condutor que logo estabelecesse v\u00ednculos com as suas v\u00e1rias vertentes.<\/p>\n<p style=\"padding: 0px; border: 0px; outline: 0px; font-size: 12px; color: #333333; font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; line-height: 18px;\">\u00c9 a escravid\u00e3o, que na di\u00e1spora, for\u00e7a o contato e o interc\u00e2mbio entre membros de diferentes na\u00e7\u00f5es africanas e produz as mais diversas formas de assimila\u00e7\u00e3o entre suas culturas e as de seus senhores, bem como de resist\u00eancia \u00e0 denomina\u00e7\u00e3o que a escravid\u00e3o lhes imp\u00f5e.<\/p>\n<p style=\"padding: 0px; border: 0px; outline: 0px; font-size: 12px; color: #333333; font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; line-height: 18px;\">Como um Museu Nacional da Cultura Afro brasileira precisa contemplar n\u00e3o s\u00f3 o que de africano ainda existe entre n\u00f3s, mas o que foi aqui apreendido, caldeado e transformado pelas m\u00e3os e pela alma do negro, salvaguardando ainda o legado dos nossos artistas \u2013 e foram muitos, an\u00f4nimos e reconhecidos, os que, nesse processo de miscigena\u00e7\u00e3o \u00e9tnica, a mesti\u00e7agem cultural, contribuiu para a originalidade de nossa brasilidade.<\/p>\n<p style=\"padding: 0px; border: 0px; outline: 0px; font-size: 12px; color: #333333; font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; line-height: 18px;\">Portanto, esse Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira tem, pois como miss\u00e3o prec\u00edpua a desconstru\u00e7\u00e3o de estere\u00f3tipos, de imagens deturpadas e de express\u00f5es amb\u00edguas sobre personagens e fatos hist\u00f3ricos relativos ao negro, que fazem pairar sobre eles obscuras lendas que no imagin\u00e1rio perverso, que ainda hoje inspiram e agem silenciosamente sobre nossas cabe\u00e7as como uma guilhotina, prestes a entrar em a\u00e7\u00e3o a cada vez que se vislumbra alguma conquista que represente mudan\u00e7a ou reconhecimento da verdadeira contribui\u00e7\u00e3o do negro a cultura Brasileira.<\/p>\n<p style=\"padding: 0px; border: 0px; outline: 0px; font-size: 12px; color: #333333; font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; line-height: 18px;\">No bojo da forma\u00e7\u00e3o e da constitui\u00e7\u00e3o desse acervo, o Museu precisa de obras que possam unir historia, mem\u00f3ria, cultura e contemporaneidade afro brasileira e, se poss\u00edvel, afro atl\u00e2ntica e africana. Entrela\u00e7ando, assim, essas vertentes num grande e poderoso discurso para narrar essa her\u00f3ica saga da marca deixada pela cruel saga dos milh\u00f5es de africanos que cruzaram o Oceano Atl\u00e2ntico no por\u00e3o dos navios negreiros e que, apesar da tr\u00e1gica epop\u00e9ia da escravid\u00e3o, deixou marcas indel\u00e9veis por s\u00e9culos ate os nossos dias; incluindo todas as contribui\u00e7\u00f5es poss\u00edveis. Os legados culturais, de usos e costumes, as revoltas, Mal\u00eas, a Sabinada e a famosa Batalha da Chibata, do marinheiro Jo\u00e3o Candido; as participa\u00e7\u00f5es nas guerras contra os Holandeses, do Paraguai, na Independ\u00eancia da Bahia, e a Legi\u00e3o Negra da Revolu\u00e7\u00e3o de 32 em S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p style=\"padding: 0px; border: 0px; outline: 0px; font-size: 12px; color: #333333; font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; line-height: 18px;\">Um Museu que reflita uma heran\u00e7a na qual, como num espelho, o jovem negro possa se reconhecer, refor\u00e7ando a auto-estima de uma popula\u00e7\u00e3o exclu\u00edda e com a identidade estilha\u00e7ada que busca na reconstru\u00e7\u00e3o da auto-estima a for\u00e7a para vencer os obst\u00e1culos \u00e0 sua inclus\u00e3o numa sociedade cujos fundamentos seus ancestrais nos legaram.<\/p>\n<p style=\"padding: 0px; border: 0px; outline: 0px; font-size: 12px; color: #333333; font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; line-height: 18px;\">O museu Nacional da Cultura Afro Brasileira tem mesmo um grande desafio de contemplar essa hist\u00f3ria brasileira de norte ao sul de leste ao oeste do pa\u00eds.<\/p>\n<p><span style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; outline: 0px; font-size: 12px; color: #333333; font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; line-height: 18px;\">Um centro de refer\u00eancia da mem\u00f3ria negra que reverencie a tradi\u00e7\u00e3o que os mais velhos souberam guardar como os cultos religiosos, mas fa\u00e7a reconhecer os her\u00f3is an\u00f4nimos e os negros ilustres na esfera das ci\u00eancias, das letras e artes no campo erudito ou popular.<\/span><\/p>\n<p>Emanuel Ara\u00fajo<br \/>\nEscultor, Desenhista, Gravador, Cen\u00f3grafo, Pintor, Curador e Muse\u00f3logo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Museu \u00e9 um espa\u00e7o dedicado ao conhecimento e, dependendo das suas especificidades ser\u00e1 um centro vivo de mem\u00f3ria e hist\u00f3ria. Essa \u00e9 a tipologia desse Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira, j\u00e1 que no Brasil ficam claras as omiss\u00f5es de todas as ordens, causa principal do apag\u00e3o cultural constitu\u00eddo no pa\u00eds debaixo da hip\u00f3crita democracia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":33,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2480","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2480","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2480"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2480\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3103,"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2480\/revisions\/3103"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2480"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2480"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2480"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}