{"id":2481,"date":"2011-03-15T08:50:55","date_gmt":"2011-03-15T11:50:55","guid":{"rendered":"http:\/\/ohyalab.com.br\/index.php\/2011\/03\/15\/espelho-meu-espelho\/"},"modified":"2021-05-16T23:53:32","modified_gmt":"2021-05-17T02:53:32","slug":"espelho-meu-espelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/2011\/03\/15\/espelho-meu-espelho\/","title":{"rendered":"Espelho meu espelho meu"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #333333; font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 18px;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-35\" style=\"border: thick solid #ffffff; float: left;\" src=\"http:\/\/ohyalab.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/sodre_blog.jpg\" alt=\"sodre blog\" width=\"170\" height=\"170\" \/>Labuta-se em Salvador, uma luta dura, para a instala\u00e7\u00e3o do MUSEU NACIONAL DA CULTURA AFRO-BRASILEIRA \u2013 MUNCAB, assunto que abordarei em outra oportunidade, pois merece o apoio de todos. Neste texto, permitam-me divaga\u00e7\u00f5es. Se levarmos em conta o que estabelece a lei n. 11.904, de 14 de janeiro de 2009, veremos, a luz deste documento, que os museus brasileiros ser\u00e3o &#8220;institui\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos que conservam, investigam, comunicam, interpretam e exp\u00f5em,&nbsp;para fins de preserva\u00e7\u00e3o, estudo, pesquisa, educa\u00e7\u00e3o, contempla\u00e7\u00e3o e turismo, conjuntos e cole\u00e7\u00f5es de valor hist\u00f3rico, art\u00edstico, cient\u00edfico, t\u00e9cnico ou de qualquer outra natureza cultural, abertas ao p\u00fabico, a servi\u00e7o da sociedade e de seu desenvolvimento&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"padding: 0px; border: 0px; outline: 0px; font-size: 12px; color: #333333; font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; line-height: 18px;\">Labuta-se em Salvador, uma luta dura, para a instala\u00e7\u00e3o do MUSEU NACIONAL DA CULTURA AFRO-BRASILEIRA \u2013 MUNCAB, assunto que abordarei em outra oportunidade, pois merece o apoio de todos. Neste texto, permitam-me divaga\u00e7\u00f5es. Se levarmos em conta o que estabelece a lei n. 11.904, de 14 de janeiro de 2009, veremos, a luz deste documento, que os museus brasileiros ser\u00e3o &#8220;institui\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos que conservam, investigam, comunicam, interpretam e exp\u00f5em,&nbsp;para fins de preserva\u00e7\u00e3o, estudo, pesquisa, educa\u00e7\u00e3o, contempla\u00e7\u00e3o e turismo, conjuntos e cole\u00e7\u00f5es de valor hist\u00f3rico, art\u00edstico, cient\u00edfico, t\u00e9cnico ou de qualquer outra natureza cultural, abertas ao p\u00fabico, a servi\u00e7o da sociedade e de seu desenvolvimento&#8221;.<\/p>\n<p style=\"padding: 0px; border: 0px; outline: 0px; font-size: 12px; color: #333333; font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; line-height: 18px;\">Como princ\u00edpios fundamentais, encontramos a valoriza\u00e7\u00e3o da dignidade humana, da cidadania, comprimento da fun\u00e7\u00e3o social, a valoriza\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio cultural e ambiental, universalidade de acesso, interc\u00e2mbios e, merecendo destaque, o respeito e a valoriza\u00e7\u00e3o da diversidade cultural.<\/p>\n<p style=\"padding: 0px; border: 0px; outline: 0px; font-size: 12px; color: #333333; font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; line-height: 18px;\">Estabelecidos estes princ\u00edpios legais, cabe tarefa aos leg\u00edtimos grupos sociais, esbo\u00e7ar o seu sonho de museu, que atenda dignamente as suas trajet\u00f3rias hist\u00f3ricas. Embora seja tarefa de profissionais qualificados a concretiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o\/museu, e felizmente j\u00e1 os temos competentes aqui aplicadores de uma qualificada MUSEOLOGIA, envolver outros interessados nesta tarefa \u00e9 no m\u00ednimo salutar.<\/p>\n<p style=\"padding: 0px; border: 0px; outline: 0px; font-size: 12px; color: #333333; font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; line-height: 18px;\">Ao visit\u00e1-lo, o visitante enxerga o museu, assim como o museu enxerga o visitante. A patrimonializa\u00e7\u00e3o, propostas de preserva\u00e7\u00e3o e exposi\u00e7\u00f5es do repertorio significativos das culturas de matrizes africanas, como qualquer outra, merece cuidados quanto as repeti\u00e7\u00f5es ou a\u00e7\u00f5es equivocadas, beirando ao simpl\u00f3rio ou ao lugar comum, recorr\u00eancias ou aus\u00eancias, que, como efeito imediato, resulta na desqualifica\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia de eventos na qualidade de importantes motores hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p style=\"padding: 0px; border: 0px; outline: 0px; font-size: 12px; color: #333333; font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; line-height: 18px;\">Embora a lei nos traga a alus\u00e3o ao turismo, isto por certo, n\u00e3o significar\u00e1 a\u00e7\u00f5es folclorizantes, espetacularizadas sem conte\u00fados de fundo, abordagens reducionistas ou exotizante. O museu dever\u00e1 ser o exerc\u00edcio de como uma sociedade pretende visualizar-se e identificar-se, refor\u00e7ando a sua verdadeira hist\u00f3ria. Devem-se cuidados frente \u00e0s vis\u00f5es &#8220;euroc\u00eantricas&#8221;, compara\u00e7\u00f5es hierarquizadas e identifica\u00e7\u00f5es que comprometam o potencial dos grupos abordados, desmerecendo a sua real imagem enquanto povos de mem\u00f3rias dignas.<\/p>\n<p style=\"padding: 0px; border: 0px; outline: 0px; font-size: 12px; color: #333333; font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; line-height: 18px;\">O discurso expositivo merece uma reposta de compreens\u00e3o imediata atrav\u00e9s da qualidade dos seus conte\u00fados. O exposto, sem favorecimentos ou equ\u00edvocos, dever\u00e1 contribuir para uma observa\u00e7\u00e3o mais apurada da dimens\u00e3o hist\u00f3ricas dos grupos formadores da nossa brasilidade. Novos formatos expositivos, novas tecnologias, ser\u00e3o elementos estimuladores deste fazer, observando as alteridades, as diversidades culturais, identidades e diferen\u00e7as, como apoio a compreens\u00e3o de uma sociedade multi\u00e9tnica e intercultural, atrav\u00e9s de novas leituras. O museu se realiza nas suas exposi\u00e7\u00f5es, estrat\u00e9gias de motiva\u00e7\u00e3o e acuidade comunicacional, trazendo fatos e eventos em sua adequada materialidade, revelando embates e acordos da odiss\u00e9ia humana, ao sabor das interroga\u00e7\u00f5es. A exposi\u00e7\u00e3o revela, mas faz lembrar a omiss\u00e3o, refor\u00e7am ou destroem id\u00e9ias, transitam em h\u00e1bitos, eventos, pessoas, valores, costumes, cren\u00e7as, enfim, acontecimentos que se identificam com os grupos e as suas pr\u00e1ticas hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p style=\"padding: 0px; border: 0px; outline: 0px; font-size: 12px; color: #333333; font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; line-height: 18px;\">A exposi\u00e7\u00e3o revela o ideol\u00f3gico, afirma, desmente, manda refletir. No entender do brilhante Dr. Marcelo da Cunha, muse\u00f3logo, &#8220;as exposi\u00e7\u00f5es colocam-nos diante de concep\u00e7\u00f5es e abordagens do mundo, onde expor \u00e9 tamb\u00e9m propor. As exposi\u00e7\u00f5es constituem-se em tradu\u00e7\u00f5es de discursos, realizado por meio de imagens, refer\u00eancias espaciais, intera\u00e7\u00f5es, que ocorrem n\u00e3o somente pelo que se exp\u00f5e, mas inclusive, pelo que guarda ou oculta&#8221;. Em s\u00edntese expor \u00e9 se expor, \u00e9 defender uma l\u00f3gica, \u00e9 n\u00e3o se omitir, \u00e9 ter posi\u00e7\u00e3o. Que o visitante julgue os acertos ou os erros e oportunize a corre\u00e7\u00e3o, mas que nunca impere a omiss\u00e3o, a mistifica\u00e7\u00e3o, o manique\u00edsmo. &#8220;Espelho meu, espelho meu&#8230; haver\u00e1 museu mais importante do que a minha hist\u00f3ria, mesclada com muitas outras?&#8221;, perguntem.<\/p>\n<p>Jaime Sodr\u00e9<br \/>PhD e, Hist\u00f3ria da Cultura Negra<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Labuta-se em Salvador, uma luta dura, para a instala\u00e7\u00e3o do MUSEU NACIONAL DA CULTURA AFRO-BRASILEIRA \u2013 MUNCAB, assunto que abordarei em outra oportunidade, pois merece o apoio de todos. Neste texto, permitam-me divaga\u00e7\u00f5es. 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