{"id":3257,"date":"2024-08-21T13:56:35","date_gmt":"2024-08-21T16:56:35","guid":{"rendered":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/?p=3257"},"modified":"2024-08-21T13:56:36","modified_gmt":"2024-08-21T16:56:36","slug":"exposicao-raizes-comeco-meio-e-comeco-recupera-as-tecnologias-ancestrais-a-partir-da-atemporalidade-do-sagrado-africano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/2024\/08\/21\/exposicao-raizes-comeco-meio-e-comeco-recupera-as-tecnologias-ancestrais-a-partir-da-atemporalidade-do-sagrado-africano\/","title":{"rendered":"Exposi\u00e7\u00e3o \u201cRa\u00edzes: Come\u00e7o, Meio e Come\u00e7o\u201d recupera as tecnologias ancestrais a partir da atemporalidade do sagrado africano"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Mostra com mais de 200 obras de 80 artistas negros entra no circuito de visita\u00e7\u00e3o, a partir de 19 de julho, no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira, em Salvador<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel subverter a l\u00f3gica do tempo, j\u00e1 que para a filosofia e as cosmovis\u00f5es africanas, ele \u00e9 recorrente, sagrado e abundante, tal qual a representa\u00e7\u00e3o horizontal do algarismo \u201c8\u201d, o resultado da soma dos n\u00fameros que formam o ano de 2024. E, com isso, se debru\u00e7ar sobre a\u00e7\u00f5es determinadas, como retornar \u00e0s origens. Essa \u00e9 a imers\u00e3o proposta pela exposi\u00e7\u00e3o in\u00e9dita <strong>\u201cRa\u00edzes: Come\u00e7o, Meio e Come\u00e7o\u201d<\/strong>, que entra no circuito de visita\u00e7\u00e3o a partir de <strong>19 de julho<\/strong>, \u00e0s<strong> 18h<\/strong>, no <strong>Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira<\/strong>, em Salvador.<\/p>\n\n\n\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 dividida em cinco eixos tem\u00e1ticos distribu\u00eddos em <strong>dois andares do Muncab: Origens, Sagrado, Ruas, Afrofuturismo e Bemb\u00e9 do Mercado<\/strong>. Todo o espa\u00e7o re\u00fane trabalhos de <strong>mais de 80 artistas afro-descendentes<\/strong>, entre eles pinturas do sambista <strong>Heitor dos Prazeres<\/strong> (Rio de Janeiro, 1898-1966); esculturas do muse\u00f3logo <strong>Emanoel Ara\u00fajo<\/strong> (Bahia, 1940-2022); fotografias da carioca <strong>Lita Cerqueira<\/strong>; e esculturas do pintor baiano <strong>Juarez Para\u00edso<\/strong>. Al\u00e9m de cria\u00e7\u00f5es <strong>da Angola, do Senegal, da Guin\u00e9 e do Congo<\/strong>. S\u00e3o <strong>mais de 200 obras<\/strong> que enaltecem as tecnologias origin\u00e1rias das matrizes africanas, que moldaram a constru\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria do Brasil, tamb\u00e9m decodificadas na mostra em instala\u00e7\u00f5es, performances e videoartes.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Dar tempo ao tempo<\/strong><br>Na cultura iorub\u00e1, introduzida no Brasil a partir do s\u00e9culo XVIII pelos povos origin\u00e1rios da Nig\u00e9ria, do Daom\u00e9 e do Togo, a temporalidade \u00e9 recorrente, com eventos e padr\u00f5es que se repetem e renovam, distante da linearidade ocidental irrevers\u00edvel do in\u00edcio, meio e fim e da cronologia sequencial do ano, do m\u00eas e do dia. Ciclos naturais tamb\u00e9m demarcam o tempo na cosmovis\u00e3o africana, n\u00e3o somente os rel\u00f3gios e calend\u00e1rios. \u00c9 o caso das colheitas agr\u00edcolas, uma necessidade coletiva e biol\u00f3gica pela alimenta\u00e7\u00e3o, atreladas \u00e0s esta\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e \u00e0s fases da lua, submetidas \u00e0s ben\u00e7\u00e3os do sagrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Observa-se, portanto, que os acontecimentos se desenvolvem ao mesmo tempo em espa\u00e7os paralelos, na dimens\u00e3o dos ancestrais e dos vivos. Existe uma cont\u00ednua conex\u00e3o do presente e do futuro com os antepassados, o que explica a import\u00e2ncia de se conectar \u00e0 sabedoria ancestral para a movimenta\u00e7\u00e3o entre \u00d2run, o universo espiritual paralelo ao \u00c0iy\u00e9, o mundo f\u00edsico, em prol da evolu\u00e7\u00e3o humana. Nascimentos, ritos de passagem e mortes s\u00e3o ciclos de continuidade e n\u00e3o perdas, lutos ou eventos isolados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u2018Ra\u00edzes: Come\u00e7o, Meio e Come\u00e7o\u2019 entrela\u00e7a a circularidade do tempo, para refletir sobre as tecnologias ancestrais. Presente, futuro e passado formam as ra\u00edzes de um grande baob\u00e1. Para algumas etnias origin\u00e1rias africanas, essa esp\u00e9cie vegetal de grande porte \u00e9 a \u00e1rvore da vida. Reconhecemos a di\u00e1spora afro-brasileira como uma das ramifica\u00e7\u00f5es dessa raiz ancestral\u201d, explica a curadora Jamile Coelho, que tamb\u00e9m \u00e9 diretora do Muncab, sobre a pesquisa que fundamentou a exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os s\u00edmbolos ideogr\u00e1ficos Adinkra dos povos akan, que habitam as regi\u00f5es da Costa do Marfim e de Gana, tamb\u00e9m capturam a atemporalidade do projeto expogr\u00e1fico da cen\u00f3grafa Gisele de Paula e da identidade visual do urbanista M.Dias Preto. Sankofa, representado por um p\u00e1ssaro com a cabe\u00e7a para tr\u00e1s, traduz que nunca \u00e9 tarde para voltar e apanhar aquilo que ficou no passado. \u201cOs visitantes s\u00e3o convidados a refletirem sobre a di\u00e1spora afro-amer\u00edndia e a continuidade das tradi\u00e7\u00f5es ancestrais, baseando-se na experi\u00eancia visual como um testemunho contempor\u00e2neo\u201d, avalia Jil Soares, que fecha a dupla de curadoria da mostra.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tecnologias ancestrais<\/strong><br>O \u201cit\u00e3\u201d, como os contos s\u00e3o chamados na linguagem iorub\u00e1, diz que as ra\u00edzes da \u00e1rvore \u201cIroko\u201ds\u00e3o t\u00e3o profundas, que ao serem plantadas no continente africano, atravessaram o oceano rumo \u00e0s Am\u00e9ricas. O que demonstra a pot\u00eancia do povo negro, que mesmo sequestrado da \u00c1frica tem influ\u00eancia em todo o mundo. \u201c\u2019Ra\u00edzes: Come\u00e7o, Meio e Come\u00e7o\u2019 \u00e9 uma jornada imersiva para contemplar esse ber\u00e7o civilizat\u00f3rio sob a perspectiva das manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, dos rituais religiosos e do modo de organiza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica, transmitidos entre gera\u00e7\u00f5es\u201d, acrescenta Jil Soares.<\/p>\n\n\n\n<p><br>O n\u00facleo \u201c<strong>Origens<\/strong>\u201d parte do princ\u00edpio de tudo. O \u201cIroko\u201d toma conta desse ambiente expositivo para simbolizar o encontro entre as culturas dos continentes africano e americano. A cidade de Salvador \u00e9 descrita como o \u00fatero da ra\u00e7a negra na di\u00e1spora. Narrativas visuais guiam o p\u00fablico pela travessia identit\u00e1ria das \u00e1guas oce\u00e2nicas que moldaram a forma\u00e7\u00e3o dos quilombos a partir dos navios negreiros. J\u00e1 o territ\u00f3rio \u201c<strong>Sagrado<\/strong>\u201d aprofunda as tradi\u00e7\u00f5es espirituais. Mesmo dispersas, elas foram capazes de reatualizar e ritualizar suas conex\u00f5es existenciais de pertencimento, por meio do culto aos orix\u00e1s, nkisis e voduns juntados aos caboclos encantados da terra. Artefatos, m\u00fasicas e dan\u00e7as celebram a for\u00e7a dos esp\u00edritos.<\/p>\n\n\n\n<p>O espa\u00e7o \u201c<strong>Ruas<\/strong>\u201d abra\u00e7a o \u201cpretugu\u00eas,\u201d neologismo que define o simb\u00f3lico universo lingu\u00edstico, art\u00edstico, gastron\u00f4mico, pol\u00edtico, social e cultural enraizado nas matrizes africanas. A paisagem urbana das cidades de Salvador, Luanda, Montevid\u00e9u, Porto Novo, Havana e Lagos carregam semelhan\u00e7as dessa identidade sin\u00f4nimo da resist\u00eancia. O ambiente \u201cAfroturismo\u201d promove o encontro entre fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, tecnologia, realismo fant\u00e1stico e mitologia para retratar a vida plena da popula\u00e7\u00e3o negra nas artes visuais e na moda. Desta forma, recupera a auto-estima de povos historicamente subalternizados, para projetar futuros libert\u00e1rios por meio da inser\u00e7\u00e3o da est\u00e9tica negra nas artes consideradas contempor\u00e2neas.<\/p>\n\n\n\n<p>O eixo \u201c<strong>Bemb\u00e9 do Mercado<\/strong>\u201d registra os patrim\u00f4nios culturais imateriais expressos na musicalidade, na l\u00edngua, nos versos, nos sotaques e nos saberes sociais. A cidade de Santo Amaro, no Rec\u00f4ncavo da Bahia tornou-se palco do maior culto do candombl\u00e9 de rua do Brasil, tendo sido realizado pela primeira vez em 1889 em celebra\u00e7\u00e3o \u00e0 Aboli\u00e7\u00e3o da Escravatura. Um s\u00edmbolo da manifest\u00e3o da<br>f\u00e9 dos povos negros. \u201cRa\u00edzes: Come\u00e7o, Meio e Come\u00e7o\u201d tamb\u00e9m reverencia o princ\u00edpio din\u00e2mico de todas as coisas de Exu, o orix\u00e1 regente de 2024. A exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira em parceria com a RCD Produ\u00e7\u00e3o de Arte.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Muncab<\/strong><br>O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira \u00e9 dedicado \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o, documenta\u00e7\u00e3o, difus\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o das culturas de matrizes africanas, que influenciam o Brasil e as Am\u00e9ricas. O acervo permanente \u00e9 composto por mais de 400 obras de arte raras e hist\u00f3ricas, modernas e contempor\u00e2neas de artistas negros. S\u00e3o pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, j\u00f3ias, arte sacra e documentos que testemunham as culturas africanas nas artes visuais. Os principais artistas que fazem parte do acervo s\u00e3o a <strong>Y\u00eadamaria <\/strong>(Bahia, 1932-2016), <strong>Mestre Didi<\/strong> (Bahia, 1917-2013),<strong> Rubem Valentim<\/strong> (Bahia, 1922-1991), <strong>Emanoel Ara\u00fajo<\/strong> (Bahia, 1940-2022) e <strong>Agnaldo dos Santos<\/strong> (Bahia, 1926-1962).<\/p>\n\n\n\n<p><br>O equipamento p\u00fablico j\u00e1 recebeu mais de 130 mil visitantes desde a sua reinaugura\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico em novembro de 2023 em Salvador, com a itiner\u00e2ncia da megaexposi\u00e7\u00e3o \u201cUm Defeito de Cor\u201d e a mostra internacional \u201cReverbera\u00e7\u00f5es: refletindo a impress\u00e3o da mem\u00f3ria africana\u201d. \u201cA primeira exposi\u00e7\u00e3o concebida pela equipe curatorial do Muncab ap\u00f3s sua reabertura assinala um momento significativo na trajet\u00f3ria da difus\u00e3o da cultura afro-diasp\u00f3rica em Salvador. Parte do compromisso de reflorestar imagin\u00e1rios como tamb\u00e9m faz uma provoca\u00e7\u00e3o sobre o enraizamento das artes visuais\u201d, comemora Cintia Maria, diretora do Muncab.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Servi\u00e7o:<\/strong><br><strong>Exposi\u00e7\u00e3o &#8211; \u201cRa\u00edzes: Come\u00e7o, Meio e Come\u00e7o\u201d<\/strong><br><strong>Local:<\/strong> Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab)<br><strong>Endere\u00e7o:<\/strong> Rua das Vassouras, 25, Centro Hist\u00f3rico de Salvador, Bahia<br><strong>Per\u00edodo:<\/strong> 19 de julho de 2024 a 9 de mar\u00e7o de 2025<br><strong>Hor\u00e1rio:<\/strong> Ter\u00e7a a domingo, das 10h \u00e0s 17h (acesso at\u00e9 16h30)<br><strong>Ingressos:<\/strong> R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)<br><strong>Gratuidade<\/strong>: Quartas-feiras e domingos<br><strong>Mais informa\u00e7\u00f5es:<\/strong> (71) 3017-6722 e museuafrobrasileiro.com.br<br><strong>Classifica\u00e7\u00e3o indicativa:<\/strong> Livre<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><\/h1>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mostra com mais de 200 obras de 80 artistas negros entra no circuito de visita\u00e7\u00e3o, a partir de 19 de julho, no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira, em Salvador \u00c9 poss\u00edvel subverter a l\u00f3gica do tempo, j\u00e1 que para a filosofia e as cosmovis\u00f5es africanas, ele \u00e9 recorrente, sagrado e abundante, tal qual a representa\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16,253],"tags":[265,269,266,267,270],"class_list":["post-3257","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog","category-eventos","tag-exposicao","tag-exposicao-raizes","tag-muncab","tag-raizes","tag-raizes-comeco-meio-e-comeco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3257","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3257"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3257\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3260,"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3257\/revisions\/3260"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3257"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3257"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3257"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}