{"id":69,"date":"2014-08-08T08:28:01","date_gmt":"2014-08-08T11:28:01","guid":{"rendered":"http:\/\/ohyalab.com.br\/index.php\/2014\/08\/08\/apresentacao\/"},"modified":"2021-05-16T23:50:22","modified_gmt":"2021-05-17T02:50:22","slug":"apresentacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/2014\/08\/08\/apresentacao\/","title":{"rendered":"Apresenta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-68\" style=\"border: medium none #ffffff; margin: 7px; float: left;\" src=\"http:\/\/ohyalab.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Img_520x520_2.png\" alt=\"Apresenta\u00e7\u00e3o MUNCAB\" width=\"372\" height=\"372\" \/>A constitui\u00e7\u00e3o do MUNCAB \u00e9 parte do projeto de renova\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica cultural do Minist\u00e9rio da Cultura, como tamb\u00e9m \u00e9 uma hist\u00f3rica reivindica\u00e7\u00e3o dos afro-descendentes e toda intelig\u00eancia brasileira que deseja aprofundar a necessidade de fundar os pilares do desenvolvimento em bases culturais amplas, que acolham a contribui\u00e7\u00e3o popular e erudita que trouxe \u00e0 nossa civiliza\u00e7\u00e3o uma impressionante gama de saberes, sentires e fazeres diferenciados e pr\u00f3prios, que nos caracterizam como uma das mais ricas culturas do mundo contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>Desde que o primeiro negro foi feito escravo no continente africano e trazido para o Velho Continente Europeu e para o rec\u00e9m descoberto Continente Americano, a humanidade conheceu uma saga at\u00e9 hoje pouco registrada e reconhecida, que significou uma fant\u00e1stica transforma\u00e7\u00e3o cultural no mundo inteiro. Milh\u00f5es de negros se seguiram, desde o s\u00e9culo XV at\u00e9 o s\u00e9culo XIX, ao primeiro negro que p\u00f4s os p\u00e9s em nosso continente como escravo. Traficados nos por\u00f5es escuros dos navios negreiros, eles nos trouxeram luzes que ainda precisam ser melhor focadas e reconhecidas pela contemporaneidade. A ra\u00e7a humana pode resgatar na grandeza da hist\u00f3ria dos escravos uma cultura de liberta\u00e7\u00e3o e afirma\u00e7\u00e3o que acaba por trazer, \u00e0 hist\u00f3ria do pr\u00f3prio homem no planeta, valores intang\u00edveis, que a tangibilidade desta trajet\u00f3ria, deixada nos objetos de arte e trabalho e in\u00fameros documentos hist\u00f3ricos, testemunha em quase todo o mundo.&nbsp;<\/p>\n<p>Mas \u00e9 na Am\u00e9rica e no Brasil que se pode perceber com toda grandeza o \u201cquantum\u201d desta contribui\u00e7\u00e3o e a sua natureza, condi\u00e7\u00f5es decisivas para que tenhamos no presente a perspectiva de uma civiliza\u00e7\u00e3o singular e \u00fanica. Apesar de percept\u00edvel esta participa\u00e7\u00e3o tem sido negada e silenciada.&nbsp;<\/p>\n<p>Da\u00ed a import\u00e2ncia da cria\u00e7\u00e3o de um Museu Nacional da Cultura Afro Brasileira que vem se juntar ao esfor\u00e7o de \u201cpensadores e estudiosos da &nbsp;vida brasileira que n\u00e3o escamoteiam a relev\u00e2ncia formid\u00e1vel da contribui\u00e7\u00e3o, na nossa arte, do talento de origem africana, indelevelmente gravado em todas as etapas da evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico-cultural do Brasil&#8230;\u201d como diz o texto de apresenta\u00e7\u00e3o da obra \u201cA M\u00e3o Afro Brasileira \u2013 Significa\u00e7\u00e3o Art\u00edstica e Hist\u00f3rica\u201d, organizada por Emanoel Ara\u00fajo.&nbsp;<\/p>\n<p>O projeto do Museu Nacional da Cultura Afro Brasileira j\u00e1 conta com a participa\u00e7\u00e3o decisiva do Governo do Estado da Bahia, atrav\u00e9s da Secretaria de Cultura e Turismo, que est\u00e1 doando dois pr\u00e9dios, na \u00e1rea do Centro Hist\u00f3rico, sendo um deles o Antigo Tesouro (im\u00f3vel n\u00ba 01 da rua do Tesouro).&nbsp;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m participa deste esfor\u00e7o de cria\u00e7\u00e3o do MUNCAB a UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA, atrav\u00e9s da parceria, com o seu Museu Afro \u2013 ligado ao CEAO.&nbsp;<\/p>\n<p>Em nossas primeiras a\u00e7\u00f5es, inclu\u00edmos iniciativas de interc\u00e2mbios intercontinentais, com pa\u00edses e culturas africanas, sobretudo aqueles de onde vieram maiores contingentes de negros escravos, como Angola, Mo\u00e7ambique e Guin\u00e9, pois certamente teremos com este continente um permanente di\u00e1logo, em busca de coopera\u00e7\u00e3o, para trocar informa\u00e7\u00f5es e promover benef\u00edcios m\u00fatuos.<\/p>\n<p>Mas a constitui\u00e7\u00e3o do MUNCAB n\u00e3o exige somente engenharia e arquitetura novas, requer tamb\u00e9m revolu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, culturais e gerenciais. Exige o esfor\u00e7o de convencimento de que j\u00e1 \u00e9 tempo de reconhecer oficialmente, em um espa\u00e7o institucional pr\u00f3prio a import\u00e2ncia dessa presen\u00e7a afro-brasileira, que permeia todas as dimens\u00f5es da vida social e da cultura de nosso pa\u00eds, sua continuidade hist\u00f3rica e sua for\u00e7a de resist\u00eancia bem como a variada gama de express\u00f5es espalhadas por todo o Brasil, independente de ter sido o esfor\u00e7o colonizador mais centrado no seu in\u00edcio na Bahia e em Pernambuco, pois ele se expandiu nacionalmente, alcan\u00e7ando regi\u00f5es mais distantes, como Rio Grande do Sul ou a Amaz\u00f4nia, onde o negro africano e o afro-descendente tamb\u00e9m deixaram tra\u00e7os de sua forte influ\u00eancia como elemento formador.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o do Museu da Cultura Afro Brasileira permitir\u00e1 recompor os fragmentos de nossa forma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 tocante ao negro, mas tamb\u00e9m no que diz respeito aos outros protagonistas de nosso processo civilizat\u00f3rio, como o \u00edndio, o portugu\u00eas, e todas as outras culturas que esta primeira base acolheu e misturou, consolidando este imenso territ\u00f3rio das diversidades, que nos identifica como a pluralidade mais bem sucedida do planeta.<\/p>\n<p>A Bahia ter\u00e1 o merecido privil\u00e9gio de sediar o Museu Nacional da Cultura Afro Brasileira, reclamado por outros estados. Particularmente em Salvador, que representa a Bahia como uma grande s\u00edntese, os afro-descendentes s\u00e3o mais do que mem\u00f3ria. S\u00e3o vivas presen\u00e7as na nossa hist\u00f3ria, como reivindicantes de sua mem\u00f3ria como tamb\u00e9m articuladores de um novo presente, na pol\u00edtica cultural que suas in\u00fameras iniciativas criam no tecido vivo da urbanidade local e nacional, inscrevendo gestos e atitudes novas e diferentes no cotidiano de nossa vida cultural. N\u00e3o s\u00f3 a religiosidade dos terreiros e seus mitos transmitem ao seu povo c\u00f3digos de resist\u00eancia e afirma\u00e7\u00e3o, de auto-estima e promo\u00e7\u00e3o social, como tamb\u00e9m em todas as manifesta\u00e7\u00f5es mais amplas da cidadania, como o carnaval, aportaram formas novas e criativas de transformar a nossa sociedade, pela pr\u00f3pria mudan\u00e7a revolucion\u00e1ria de suas condi\u00e7\u00f5es desde a escravatura.<\/p>\n<p>Em toda a nossa hist\u00f3ria eles fizeram valer a diferen\u00e7a. E a Cidade do Salvador, conhecida pela sua negritude, \u00e9 o maior espa\u00e7o vivo onde esta contribui\u00e7\u00e3o cultural se presentifica.&nbsp;<\/p>\n<p>E n\u00e3o podemos ignorar estas contribui\u00e7\u00f5es. Elas servem como centro de refer\u00eancia do que somos e queremos ser. Desta maneira o MUNCAB deve ser concebido, para nele abrigar diversas \u201cm\u00eddias\u201d, escolas e outros instrumentos de difus\u00e3o cultural, transforma\u00e7\u00e3o e reconhecimento de tradi\u00e7\u00f5es ancestrais, que sustentaram diante de condi\u00e7\u00f5es adversas conhecimentos valiosos para nosso patrim\u00f4nio como civiliza\u00e7\u00e3o. Nos pr\u00e9dios da rua do Tesouro, que tem cerca de 4.500 m2, ser\u00e3o instaladas salas de exposi\u00e7\u00e3o, oficinas, arquivos, salas de recital, lojas e caf\u00e9s, salas de aula, lan house, assim como um grade acervo de bens tang\u00edveis e intang\u00edveis, um verdadeiro tesouro que j\u00e1 foi inscrito em nossa hist\u00f3ria pelos negros e afros descendentes, para que todos possam ver, sentir e conhecer.<\/p>\n<p>Ver o que somos de forma ampla \u00e9 a miss\u00e3o cultural e pol\u00edtica da Sociedade Amigos da Cultura Afro Brasileira. Queremos que todos vejam o que poucos v\u00eaem. Queremos fazer ver que a base fundamental de nossa riqueza como civiliza\u00e7\u00e3o, que nos credencia para um futuro maior e melhor, se comp\u00f5e pelas diferen\u00e7as que abrigamos em nossa identidade.<\/p>\n<p>Nosso convite \u00e0s empresas privadas e estatais, institui\u00e7\u00f5es culturais, educativas, \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, para serem co-participantes do projeto de cria\u00e7\u00e3o do MUSEU NACIONAL DA CULTURA AFRO-BRASILEIRA \u00e9 o reconhecimento das iniciativas que cabem a estas Institui\u00e7\u00f5es, que tem por fun\u00e7\u00e3o associar o seu fazer b\u00e1sico a finalidades sociais maiores, sobretudo na \u00e1rea da cidadania, onde certamente n\u00e3o falta a vis\u00e3o da hist\u00f3rica presen\u00e7a dos negros e afro-descendentes no Brasil, e de que os mesmos s\u00e3o exemplos da capacidade de resistir e provocar mudan\u00e7as, considerando que aqui foram trazidos na condi\u00e7\u00e3o de escravos e mudaram o seu pr\u00f3prio destino por um gigantesco processo de transforma\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do que produziram em todos os campos, desde o mais bruto trabalho bra\u00e7al, que foram obrigados a realizar, e o carnaval, onde demonstram sua capacidade de louvar a liberdade e alegria de viver, dando \u00e0 Bahia, ao Brasil e ao mundo, a mais criativa e universal manifesta\u00e7\u00e3o de sua identidade, \u00e0s mais complexas e sens\u00edveis formas de compreender e produzir o mundo, nas ci\u00eancias e nas artes, em nosso ambiente t\u00e9cnico, social e pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Carlos Capinan<\/p>\n<p>Presidente<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A constitui\u00e7\u00e3o do MUNCAB \u00e9 parte do projeto de renova\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica cultural do Minist\u00e9rio da Cultura, como tamb\u00e9m \u00e9 uma hist\u00f3rica reivindica\u00e7\u00e3o dos afro-descendentes e toda intelig\u00eancia brasileira que deseja aprofundar a necessidade de fundar os pilares do desenvolvimento em bases culturais amplas, que acolham a contribui\u00e7\u00e3o popular e erudita que trouxe \u00e0 nossa [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":68,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[251],"tags":[],"class_list":["post-69","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-institucional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=69"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2682,"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69\/revisions\/2682"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=69"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=69"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=69"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}