{"id":85,"date":"2011-11-22T16:48:06","date_gmt":"2011-11-22T18:48:06","guid":{"rendered":"http:\/\/ohyalab.com.br\/index.php\/2011\/11\/22\/africas-ocultas\/"},"modified":"2021-05-16T23:52:57","modified_gmt":"2021-05-17T02:52:57","slug":"africas-ocultas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/museuafrobrasileiro.com.br\/index.php\/2011\/11\/22\/africas-ocultas\/","title":{"rendered":"\u00c1fricas ocultas"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-84\" src=\"http:\/\/ohyalab.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/escola-eugenia-anna.jpg\" alt=\"escola-eugenia-anna\" width=\"671\" height=\"503\" \/><\/p>\n<p>Quando chega \u00e0 sala Iy\u00e1 Ob\u00e1 Biyi, do primeiro ano do ensino fundamental, a vice-diretora Iraildes Nascimento sa\u00fada os pequenos alunos com um y\u00e1 ag\u00f4 (com licen\u00e7a). Ao que todos logo respondem: ag\u00f4 y\u00e1 (licen\u00e7a concedida). Por toda a Escola Municipal Eug\u00eania Anna dos Santos, essas e outras &#8220;palavras b\u00e1sicas de conviv\u00eancia&#8221; da l\u00edngua iorub\u00e1 s\u00e3o lembradas em murais e cartazes pendurados ao lado de fotos de m\u00e3es de santo. Perto dali, numa escola estadual na Estrada das Barreiras, a professora de Hist\u00f3ria Luciana Ara\u00fajo at\u00e9 tenta falar sobre candombl\u00e9 e religi\u00f5es africanas com as turmas de adolescentes. Mas, quase sempre, algu\u00e9m debocha e pergunta: &#8220;Voc\u00ea \u00e9 macumbeira, n\u00e3o \u00e9?&#8221;<\/p>\n<p>O bairro \u00e9 Cabula, localizado na \u00e1rea central de Salvador, entre a rodovia BR-324 (que liga a capital \u00e0 cidade de Feira de Santana) e a movimentada Avenida Paralela. Mesmo tendo uma popula\u00e7\u00e3o de mais de 90% de negros e pardos, boa parte dos professores das escolas p\u00fablicas da regi\u00e3o ainda encontra resist\u00eancia ao trazer a hist\u00f3ria e a cultura africanas e afro-brasileiras para as salas de aula. Mais de oito anos ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o da Lei 10.639 \u2013 que tornou obrigat\u00f3rio o estudo desses temas nos ensinos m\u00e9dio e fundamental \u2013, eles continuam esbarrando na falta de apoio efetivo dos governos, no preconceito e no desinteresse de coordenadores, pais, alunos e at\u00e9 dos pr\u00f3prios professores.<\/p>\n<p>A Escola Eug\u00eania Anna dos Santos \u00e9 praticamente uma exce\u00e7\u00e3o nesse cen\u00e1rio. Instalada desde a d\u00e9cada de 1970 no tradicional terreiro de candombl\u00e9 Il\u00ea Ax\u00e9 Op\u00f4 Afonj\u00e1, \u00e9 uma refer\u00eancia na capital baiana e mesmo fora do Brasil. Tudo come\u00e7ou com o desejo de M\u00e3e Aninha (1869-1938), fundadora do terreiro em 1910, de ver seus &#8220;filhos com anel no dedo aos p\u00e9s de Xang\u00f4 [seu orix\u00e1]&#8221;. Seguindo esses passos, Maria Stella de Azevedo Santos, a M\u00e3e Stella, que lidera o Ax\u00e9 desde 1974, concretizou o sonho da primeira ialorix\u00e1 (m\u00e3e de santo). De in\u00edcio, foi montada uma creche, a Minicomunidade Ob\u00e1 Biyi, que abrigava crian\u00e7as filhas do terreiro, com idades que iam de poucos meses at\u00e9 cinco anos. Em 1986, esse pequeno espa\u00e7o se transformou numa escola de 1\u00aa a 4\u00aa s\u00e9rie do ensino fundamental e ganhou o nome de sua inspiradora. Mais tarde, foi incorporada \u00e0 rede municipal de Salvador.<\/p>\n<p>Mitos africanos na escola<\/p>\n<p>Na mesma \u00e9poca, a educadora e historiadora Vanda Machado come\u00e7ou a frequentar o terreiro. E n\u00e3o demorou a escolher o local como objeto de suas pesquisas de mestrado. A ideia inicial era desenvolver atividades a partir das pr\u00f3prias viv\u00eancias das crian\u00e7as, do saber e da cultura da comunidade, e tom\u00e1-los como &#8220;suportes para aquisi\u00e7\u00e3o de novos conhecimentos&#8221;. Nascia a\u00ed o projeto pol\u00edtico-pedag\u00f3gico Ir\u00ea Ay\u00f3 (ou Caminho de Alegria), elaborado junto com Carlos Petrovich e adotado na escola a partir de 1999. &#8220;Nossa proposta maior \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de sujeitos aut\u00f4nomos e solid\u00e1rios, com o sentido de pertencer e participar de seu lugar. Isso tudo foi inspirado no que v\u00edamos no terreiro, onde a solidariedade acontece naturalmente&#8221;, explica a pesquisadora, filha de Oxum e ebomi (pessoa mais velha no santo) da comunidade.<\/p>\n<p>Enquanto conversava e compartilhava experi\u00eancias com homens e mulheres do Op\u00f4 Afonj\u00e1, Vanda ia registrando e recriando hist\u00f3rias, mitos dos orix\u00e1s e africanos. No fim, esse rico material virou o ponto de partida de todo o projeto educativo da Escola Eug\u00eania Anna. &#8220;A cada bimestre, trabalhamos um desses mitos.<\/p>\n<p>Os alunos tamb\u00e9m fazem uma rela\u00e7\u00e3o com a vida l\u00e1 fora. Isso acaba, de alguma forma, chegando \u00e0s fam\u00edlias. Resgatar e apresentar o mito \u00e9 atravessar os muros do terreiro, da sala de aula. Esta \u00e9 a inten\u00e7\u00e3o do Ir\u00ea Ay\u00f3&#8221;, afirma Iraildes Nascimento, vice-diretora da escola e \u00fanica funcion\u00e1ria que tamb\u00e9m \u00e9 filha de santo. E as hist\u00f3rias n\u00e3o s\u00e3o selecionadas de forma aleat\u00f3ria. &#8220;Procuramos sempre estudar a atmosfera, o que est\u00e1 acontecendo ao redor da escola. &#8216;Ians\u00e3 criando a democracia&#8217; veio na \u00e9poca em que a campanha presidencial estava efervescente&#8221;, lembra a professora Cl\u00e1udia Castro.<\/p>\n<p>Nos primeiros meses deste ano, a &#8220;transforma\u00e7\u00e3o da Conqu\u00e9n&#8221; inspirou todas as atividades escolares. Os professores e coordenadores come\u00e7aram a perceber que algumas &#8220;palavras m\u00e1gicas&#8221; \u2013 com licen\u00e7a (y\u00e1 ag\u00f4), obrigado (adup\u00e9), desculpa (pe le\u00f4) \u2013 estavam sendo esquecidas. Ent\u00e3o, nada melhor do que resgatar a hist\u00f3ria da galinha d&#8217;angola que vivia reclamando do mundo e n\u00e3o lhe dava nenhuma contribui\u00e7\u00e3o. Depois de encontrar o Olu\u00f4, ela finalmente descobriu que n\u00e3o estava s\u00f3, precisava apenas melhorar suas rela\u00e7\u00f5es. &#8220;O mito da Conqu\u00e9n foi o norte para alavancar nossa din\u00e2mica, desenvolver o conte\u00fado das aulas. Essa \u00e9 a parte objetiva. Mas tem tamb\u00e9m o lado mais subjetivo, um ganho dif\u00edcil de mensurar. Assim como a galinha se transformou, n\u00f3s tamb\u00e9m nos transformamos com sua hist\u00f3ria&#8221;, completa Cl\u00e1udia Castro.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos livros did\u00e1ticos<\/p>\n<p>No fim das contas, o mito \u00e9 uma porta de entrada mais que eficiente para trabalhar a Lei 10.639. &#8220;A partir dele, podemos recuperar todo o legado dos africanos e dos afrodescendentes. Se o livro did\u00e1tico n\u00e3o traz os assuntos, buscamos em outros lugares. Trabalho em outra escola, mas l\u00e1 n\u00e3o consigo efetivar a lei. Sempre ou\u00e7o: &#8216;J\u00e1 fazemos isso na Consci\u00eancia Negra&#8217;. \u00c9 complicado lidar com essa resist\u00eancia&#8221;, lamenta Catarina Pedreira, professora do 4\u00ba ano.<\/p>\n<p>De fato, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 bem diferente em outros col\u00e9gios p\u00fablicos, e tamb\u00e9m nos particulares, espalhados por Salvador. Para come\u00e7ar, boa parte dos professores n\u00e3o recebe qualquer tipo de forma\u00e7\u00e3o ou capacita\u00e7\u00e3o. Como faltam apoios oficiais e dos pr\u00f3prios coordenadores escolares, as iniciativas s\u00e3o, em geral, individuais e espor\u00e1dicas. O resultado disso s\u00e3o profissionais desmotivados e alunos desinteressados. &#8220;N\u00e3o quero nadar, nadar e morrer na praia. Ou fico brigando ou deixo para l\u00e1, numa atitude meio ego\u00edsta. Quando voc\u00ea pode, flui na sua aula do jeito que acha, sem saber se est\u00e1 correto ou n\u00e3o. De alguma forma, quando se fala da escravid\u00e3o, j\u00e1 se toca um pouco na quest\u00e3o. Infelizmente, esta \u00e9 a realidade de mais de 80% das escolas&#8221;, lamenta a professora de Hist\u00f3ria Luciana Ara\u00fajo.<\/p>\n<p>E como as institui\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m t\u00eam estruturas muito prec\u00e1rias, a obrigatoriedade trazida pela lei acaba ficando praticamente no fim de uma longa lista de problemas e prioridades. A escola estadual em que Luciana trabalha, na Estrada das Barreiras, est\u00e1 instalada em dois pr\u00e9dios separados por uma pista asfaltada. H\u00e1 onze anos a comunidade espera a constru\u00e7\u00e3o de um novo espa\u00e7o. Nas salas de aula n\u00e3o h\u00e1 cadeiras para todo mundo. Em geral, apenas vinte estudantes conseguem lugar para sentar. Em dias de prova, aparecem cinquenta. A solu\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer um rod\u00edzio. &#8220;N\u00f3s, professores, tamb\u00e9m n\u00e3o temos cadeira e nem mesa. Coloco a minha bolsa no ch\u00e3o. \u00c9 nessa escola sem suporte nenhum que querem que eu ofere\u00e7a um ensino de boa qualidade&#8221;, alerta Luciana.<\/p>\n<p>Investimentos pr\u00f3prios<\/p>\n<p>Para contornar tantas dificuldades, alguns docentes investem em p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es com dinheiro do pr\u00f3prio bolso, compram uns poucos livros (bem poucos, j\u00e1 que seus baixos sal\u00e1rios n\u00e3o acompanham os pre\u00e7os das obras especializadas) ou simplesmente recorrem \u00e0 Internet. Outra estrat\u00e9gia tem sido levar pesquisadores, professores universit\u00e1rios e mesmo africanos que vivem no Brasil para conversar com os alunos.<\/p>\n<p>Morando em Salvador desde 2002, o gan\u00eas Justine Lloyd Ankai-MacAidoo, mais conhecido como DJ Sankofa, volta e meia \u00e9 convidado para contar suas experi\u00eancias nas escolas p\u00fablicas da cidade, quando aproveita para apresentar a diversidade musical africana e exibir suas habilidades como chef de cozinha. As atividades come\u00e7aram meio por acaso, quando, em novembro de 2004, na Semana da Consci\u00eancia Negra, foi chamado por um grupode estudantes do bairro de \u00c1guas Claras para ajud\u00e1-los com informa\u00e7\u00f5es sobre a \u00c1frica numa esp\u00e9cie de competi\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses e continentes.<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, j\u00e1 deu aulas de ingl\u00eas a partir das hist\u00f3rias africanas na ONG Pracatum, do m\u00fasico Carlinhos Brown, participou de eventos em diversas escolas da capital (inclusive na Escola Eug\u00eania Anna) e de outras regi\u00f5es, como o Vale do Cap\u00e3o, na Chapada Diamantina. Em todos os lugares, procurou usar sempre os mesmos recursos: hist\u00f3rias, m\u00fasica e comida. &#8220;Essas s\u00e3o coisas que chamam a aten\u00e7\u00e3o. A estrat\u00e9gia \u00e9 usar minha pr\u00f3pria experi\u00eancia, mais pr\u00e1tica&#8221;, diz, num portugu\u00eas com sotaque.<\/p>\n<p>No Cap\u00e3o, ele pretende transformar tudo isso num projeto regular. Em parceria com o ponto de cultura Circo do Cap\u00e3o, mas ainda sem patroc\u00ednios, ele vai, a cada m\u00eas, preparar comidas t\u00edpicas de Togo, Benim, Gana ou Nig\u00e9ria, e tamb\u00e9m apresentar dan\u00e7as e ritmos africanos, como semba, juju music, funana ou kizomba, em col\u00e9gios p\u00fablicos e particulares. &#8220;N\u00e3o ser\u00e1 s\u00f3 contar uma hist\u00f3ria e ir embora. Vai fazer o que com isso? Em Lauro de Freitas [munic\u00edpio perto de Salvador], uma menina de 14 anos ficou t\u00e3o interessada que resolveu, com a ajuda dos pais, estudar dan\u00e7a folcl\u00f3rica no Congo. Ficou l\u00e1 dois anos. Quero que as pessoas tenham outra vis\u00e3o da \u00c1frica. N\u00e3o somos coitados. Somos orgulho, muito orgulho&#8221;, reafirma o gan\u00eas, que \u00e9 um dos s\u00f3cios do Bar Sankofa, no Pelourinho, especializado em m\u00fasica africana.<\/p>\n<p>Os educadores da Eug\u00eania Anna e de outros col\u00e9gios de Salvador tamb\u00e9m acreditam que a chave est\u00e1 mesmo na autoestima. Mas n\u00e3o basta botar as crian\u00e7as para desfilar no dia de Zumbi, vestidas de torso na cabe\u00e7a e roupa colorida. &#8220;Isso n\u00e3o muda nada. S\u00f3 vale quando ela fala: &#8216;eu sou igual, porque sou igual. Eu tenho a mesma origem&#8217;, destaca Vanda Machado. E os profissionais de educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m precisam se conscientizar. &#8220;\u00c9 o primeiro passo: reconhecer que essa hist\u00f3ria \u00e9 sua. Se isso n\u00e3o acontece, vou contar a hist\u00f3ria do outro&#8221;, diz a professora Catarina Pedreira.<\/p>\n<p>Falta de identidade<\/p>\n<p>Talvez por isso, Luciana Ara\u00fajo encontre tantas dificuldades em &#8220;aplicar&#8221; a lei nas institui\u00e7\u00f5es em que atua. Muitos de seus colegas de trabalho, especialmente das \u00e1reas &#8220;exatas&#8221;, acham que n\u00e3o t\u00eam nada com o assunto. E os alunos tamb\u00e9m pouco se identificam. &#8220;Morando na periferia, 95% ou mais desses estudantes s\u00e3o afrodescendentes. Ainda assim, n\u00e3o t\u00eam essa identidade de pertencimento. At\u00e9 entendem um pouco sobre o negro, mas, ao mesmo tempo, n\u00e3o aceitam a cultura, t\u00eam ojeriza ao candombl\u00e9. Como durante muitos anos o candombl\u00e9 foi reprimido e visto de forma preconceituosa, eles tentam negar at\u00e9 hoje. Mesmo se entendendo como negros, ainda se envergonham da religi\u00e3o&#8221;, conta a professora.<\/p>\n<p>No pr\u00f3prio Op\u00f4 Afonj\u00e1, as crian\u00e7as muitas vezes s\u00e3o rotuladas como &#8220;alunos da escola da macumba&#8221;. Logo que chegam, algumas m\u00e3es se mostram reticentes. Em pouco tempo, passam a ter outra atitude. Mesmo as evang\u00e9licas. Ali\u00e1s, apenas cinco alunos entre os 350 matriculados s\u00e3o filhos do terreiro. &#8220;Tudo muda quando a fam\u00edlia percebe que \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o sist\u00eamica, mas com um diferencial, um grande p\u00e1tio, um recreio no terreiro, museu, biblioteca, e essa bela reserva atl\u00e2ntica ao redor&#8221;, enumera Iraildes Nascimento.<\/p>\n<p>Mais do que um amplo e acolhedor espa\u00e7o f\u00edsico, o que certamente garante o cumprimento da lei \u2013 antes mesmo de sua promulga\u00e7\u00e3o! \u2013 na Escola Eug\u00eania Anna \u00e9 o envolvimento de toda a comunidade, desde os filhos do terreiro, o porteiro, a merendeira at\u00e9 os pais dos estudantes, os diretores e o governo municipal.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o d\u00e1 para cada um fazer alguma coisa em seu cantinho. \u00c9 preciso ter essa solidariedade, um sentido coletivo. E isso s\u00f3 acontecer\u00e1 se nos juntarmos para construir outra realidade de escola. N\u00e3o se trata de hist\u00f3ria para brancos ou para negros, mas da possibilidade de entender a nossa hist\u00f3ria de outro ponto de vista&#8221;, arremata a educadora Vanda Machado.<\/p>\n<p>Juliana Barreto Farias \u00e9 jornalista e coautora de No labirinto das na\u00e7\u00f5es: africanos e identidades no Rio de Janeiro. (Editora do Arquivo Nacional, 2005).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando chega \u00e0 sala Iy\u00e1 Ob\u00e1 Biyi, do primeiro ano do ensino fundamental, a vice-diretora Iraildes Nascimento sa\u00fada os pequenos alunos com um y\u00e1 ag\u00f4 (com licen\u00e7a). Ao que todos logo respondem: ag\u00f4 y\u00e1 (licen\u00e7a concedida). 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